Depois de ter estado em Nova Iorque, qualquer pessoa que regresse a casa dar-se-á conta de que o seu lugar de origem é bastante escuro”, defende Brendan Behan, escritor irlandês para quem NY é o lugar mais fascinante do Mundo. um guia para visitar nova iorque


 Também conhecida como Big Apple, a cidade de Nova Iorque (NY) situa-se na mesma latitude que Roma e Istambul. Com três aeroportos internacionais (JFK – principal aeroporto de NY, em Queens; Newark – segundo maior aeroporto de NY, em New Jersey; La Guardia – para viajantes em negócios, em Queens), NY apresenta uma diversificada oferta de museus, arquitetura, compras e diversões. A cidade que deu nome ao Estado de Nova Iorque (cuja capital é Albany, a 250 km a norte) é uma metrópole com cerca de 8 milhões de habitantes, dividindo-se em áreas distintas: Manhattan, Bronx, Queens, Brooklin e Staten Island. NY constitui um bom ponto de partida para visitar as cidades históricas de Boston e Filadélfia, bem como a capital do país, Washington.

História e Economia

A baía de NY foi avistada pela primeira vez pelo explorador italiano ao serviço da coroa Francesa Giovanni da Verrazano (1485-1528), em 1524, data após a qual se tornou uma presa cobiçada por toda a Europa. Em 1621, os Holandeses enviaram para a região comerciantes de peles, os quais acabaram por batizar a cidade com o nome Nova Amesterdão. Em 1664, porém, os Holandeses perderam a colónia para os Ingleses.

Manhattan era uma ilha coberta de florestas habitadas pelos Índios Algonquianos quando a Companhia das Índias da Holanda instalou ali o entreposto de peles da Nova Amesterdão, em 1625. Os colonizadores construíram então casas sem qualquer planeamento, sendo até hoje as ruas de Lower Manhattan bastante sinuosas. O último governador holandês, Peter Stuyvesant, assumiu uma postura de tirano e impôs medidas severas.

Os Ingleses rebatizaram a cidade com a designação Nova Iorque, nome que se manteve mesmo depois da assinatura do tratado de paz em 1783 (altura em que os Ingleses abandonaram NY). Sob o domínio inglês, NY prosperou e a população cresceu rapidamente. Entre 1776 e 1783, NY revela-se contudo uma cidade revolucionária com a Guerra da Independência dos Estados Unidos.

Ao longo do século XIX, NY cresceu exponencialmente, estimulando a indústria e o comércio ao ponto de se transformar num verdadeiro centro de negócios e num incontestável pólo cultural e de entretenimento. O surgimento dos primeiros barcos a vapor contribuiu para encurtar distâncias e aproximar os nova-iorquinos do ocidente. Os cidadãos abastados começaram a mudar-se para a parte alta da cidade e os transportes públicos seguiram esse destino. Mas à medida que a cidade começou a ser confrontada com a chegada de imigrantes vindos da Irlanda, da Alemanha e de outros países, amontoaram-se bairros de lata em Lower Manhattan. O crescimento da metrópole foi assim seguindo uma certa discrepância entre a proliferação de bairros pobres (com prédios muitas vezes sem janelas, ventilação e instalações sanitárias) e a extravagância dos magnatas ricos. Foi a época de figuras marcantes, como William “Boss” Tweed, político truculento e rei da corrupção. Na viragem do século XIX, NY era ainda assim o centro da indústria americana.

O início do século XX foi marcado pelos loucos anos 20 que, entre o fausto de muitos nova-iorquinos na vida dos cabarés e os sucessivos casos de corrupção, culminaram na queda da Bolsa de Valores, em 29 de outubro de 1929. Com o crash da bolsa, o país estava lançado na Grande Depressão. Nos primeiros anos da década de 1930, um quarto dos nova-iorquinos estava desempregado. Só após a eleição de Fiorello LaGuardia, em 1933, a cidade voltou a florescer.

Desde o final da II Grande Guerra (1939-1945), NY tem vindo a atravessar fases melhores e piores e, embora sendo reconhecida como a capital financeira e o eixo cultural do Mundo, a cidade norte-americana quase foi à falência na década de 1970 (para cuja salvação lhe valeu um empréstimo federal) e, em 2008, com o colapso do banco Lehman Brothers, precipitou a maior crise financeira desde 1929.

NY multicultural

À medida que NY foi crescendo, milhares de imigrantes afluíam à cidade em busca de uma vida melhor, o que contribuiu significativamente para o surgimento de bairros de lata nas periferias da cidade. A silhueta de Manhattan foi ao longo do tempo abrigando as populações recém chegadas. A profusão de culturas tornou-se com efeito uma característica forte de NY.

Um pouco por toda a cidade é hoje possível constatar misturas étnicas. Os próprios nova-iorquinos nativos têm as suas raízes noutros países, já que durante o século XVII holandeses e ingleses instalaram-se nesta cidade, transformando-a num importante centro comercial aberto ao mundo, para onde imigraram seguidamente irlandeses, alemães e outros europeus desempregados à procura de novas oportunidades. Também hispano-americanos, chineses, afro-americanos, entre outros, foram chegando a NY, influenciando o surgimento de um verdadeiro cadinho de culturas e práticas religiosas.

Atualmente, os cerca de 8 milhões de habitantes de NY falam cerca de 100 diferentes línguas.

Arquitetura

Nos primeiros 200 anos, NY e o resto dos EUA inspiraram-se nos estilos arquitetónicos europeus. No entanto, nenhum prédio da colonização holandesa, por exemplo, permanece em Manhattan. A maioria deles foi demolida com o grande incêndio de 1776. Devido à sua localização numa ilha, NY necessitou de crescer em altura, assumindo-se pela disseminação de arranha-céus e a introdução do estilo Art Déco, que atribuíram à paisagem arquitetónica da cidade uma identidade própria.

O ferro fundido e a pedra são os materiais predominantes das construções da cidade, por serem abundantes na região e funcionais. O resultado, do ponto de vista arquitetónico, consubstancia-se numa cidade cheia de soluções interessantes para necessidades práticas. De destacar as brownstones, casas construídas com pedras locais, as preferidas da classe média no século XIX.

Personalidades

NY ‘produziu’ alguns dos maiores talentos criativos do século XX. Foi em NY que nasceu a Pop Art, sendo ainda hoje Manhattan considerada um centro mundial de arte moderna.

Literatura: Destacam-se, na literatura americana, Edgar Allan Poe (1809-1849 – pioneiro nas modernas histórias de detetives), Washington Irving (1783-1859 – escreveu em tom de sátira a famosa Uma História de Nova Iorque), James Baldwin (1924-1987 – nascido no Harlem, escreveu Another Country).

Artes: Nas artes, sobressaem os artistas Roy Lichtenstein (1923-1997) e Andy Warhol (1928-1987), que deram origem na década de 1960 à Pop Art em NY, e a cantora Maria Callas (1923-1977), que nasceu em NY e foi mais tarde viver para a Europa.

Indústria: Na área do empreendedorismo, são reconhecidos Andrew Carnegie, que levou o sonho americano (o pobre que fica rico) às últimas consequências, Cornelius Vanderbilt, magnata que superou as suas origens pobres ao patrocinar as artes, e Donald Trump, dono da Trump Tower.

Galeria

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PDIs (pontos de interesse) por Zonas Emblemáticas em NY
Lower Manhattan

Aqui convergem o velho e o novo. Igrejas coloniais e edifícios dos primórdios da cidade permanecem à sombra de grandiosos arranha-céus. Foi em Lower Manhattan que nasceu NY. O comércio tem florescido desde 1926, quando o holandês Peter Minuit adquiriu a ilha de Man-a-hatt-ta aos Índios Algonquianos, em troca de quinquilharias no valor de 24 dólares. mapa01

Seaport and Civic Center

No Civic Center de Manhattan situam-se os tribunais dos sistemas judiciários federal, estadual e municipal e o departamento de polícia de NY. Sendo uma zona bastante atrativa da cidade, reúne diferentes espaços emblemáticos, como o Woolworth Building (século XX), o City Hall (Câmara Municipal, século XIX), a St. Paul’s Chapel (século XVIII). Perto, situa-se o South Street Seaport, albergando hoje em dia um museu, muitas lojas e restaurantes. Para norte, estende-se a Ponte de Brooklyn.

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Lower East Side

É nesta parte sudeste da ilha de Manhattan que as misturas étnicas são tão evidentes, com tantos imigrantes estabelecidos. Foi aqui que italianos, chineses e judeus formaram comunidades distintas, preservando a sua língua, os seus costumes e religião numa terra nova e estranha. Este bairro está agora a transformar-se numa zona nobre, com a vantagem de continuar a incorporar o antigo charme. Com dezenas de lojas modernas, bares e restaurantes, são muitas as atrações que a cidade concentra nesta zona. O imigrante e compositor Irving Berlin cresceu em Lower East Side, defendendo que “todos deveriam ter um Lower East Side na vida”.

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Soho and Tribeca

SoHo (South of Houston) e TriBeCa (Triangle Below Canal, o triângulo de ruas abaixo de Canal Street) são dois antigos bairros industriais de NY, cujas arquitetura e arte extraordinárias impediram a sua demolição na década de 1960. Em SoHo, na Greene Street, proliferam edifícios em ferro forjado, como o Haughwout Building (fábrica de porcelanas e cristais fornecedora da Casa Branca no século XIX) e o Singer Building (projetado no início do século XX para armazenar máquinas de costura Singer), afirmando-se esta zona como a maior concentração do mundo de arquitetura em ferro forjado. Com o tempo os preços do SoHo foram subindo e os artistas que outrora o procuravam passaram a deslocar-se mais para sul, para TriBeCa, que alberga galerias, novos restaurantes e o Tribeca Film Festival, em maio.

Greenwich Village

Esta zona começou como uma aldeia onde os moradores da cidade procuraram refúgio durante a epidemia da febre amarela de 1822. Ao longo do tempo, foram muitos os artistas e escritores célebres que se instalaram em Greenwich Village. O dramaturgo Eugene O’Neill e o ator Dustin Hoffman são um exemplo disso. Casas encantadoras, vielas escondidas, pátios arborizados, clubes, teatros experimentais e algumas das melhores casas de jazz de NY fazem as delícias dos moradores e visitantes de Greenwich Village. Aqui é também possível encontrar uma parte significativa da comunidade gay da cidade (Gay Street e Christopher Street). Nesta zona de NY, sobressaem ainda a New York University (fundada em 1831, hoje a maior universidade privada dos EUA) e a Washington Square, um dos espaços públicos mais dinâmicos da cidade onde se reúnem centenas de estudantes universitários.

Gramercy and Flatiron District

Nesta zona de NY destaca-se Gramercy Park, uma área primordialmente residencial cujos edifícios foram projetados pelos melhores arquitetos da cidade: Calvert Vaux e Stanford White. Mais a sul, no Flatiron District, sobressai o Flatiron (ferro de engomar) Building, um dos primeiros arranha-céus da cidade (quando foi erguido em 1903, era o edifício mais alto do Mundo). Na vizinha Madison Square, concentram-se escritórios, estátuas e uma arquitetura comercial a não perder.

Chelsea and Garment District

No século XVIII, Chelsea era uma zona agrícola, tendo mais tarde evoluído para uma zona comercial, com a chegada dos comboios elevados no século XIX. Mas à medida que a moda se foi mudando mais para norte, esta zona foi entrando paulatinamente em decadência. Hoje Chelsea reúne uma série de galerias de arte e lojas de antiguidades, albergando uma vasta comunidade gay. O Garment District, onde há fábricas e oficinas de costura, ocupa as ruas perto da Macy’s e arredores da 7th Avenue, também chamada Fashion Avenue.

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Theater District

A transferência da Metropolitan Opera House para a Broadway na 40th Street, em 1883, atraiu teatros e restaurantes para esta zona. Na década de 1920, os cinemas introduziram na Broadway o glamour do néon. As placas foram aumentando de tamanho e brilho. Com a II Grande Guerra, o interesse pelo cinema decresceu e o brilho deu lugar à fuligem. No entanto, um projeto de remodelação implementado a partir de 1990 devolveu as luzes a esta área, onde se encontram refúgios tranquilos como a NY Public Library.

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Lower Midtown

Um passeio pela Lower Midtown, a zona logo abaixo do centro de Manhattan, oferece uma boa montra da profusão de estilos arquitetónicos de NY, cujo expoente máximo é apresentado pelo Chrysler Building.

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Upper Midtown

A NY da alta sociedade vive nesta zona, com toda a sua diversidade. A parte superior do centro de Manhattan está repleta de igrejas, sinagogas, museus, lojas famosas, hotéis de luxo, arranha-céus emblemáticos e bairros residenciais de ricos. Nos meados do século XIX, era aqui que habitavam famílias abastadas como os Astor os Vanderbilt. No século XX, a vertente comercial foi também introduzida no Upper Midtown com a construção de torres modernas. As lojas luxuosas que se tornaram apanágio da 5th Avenue surgiram à medida que a alta sociedade nova-iorquina se mudava mais para norte da ilha. Em 1917, a Cartier’s comprou a mansão do banqueiro Morton F. Plant em troca de um colar de pérolas valiosíssimo. O exemplo foi sendo seguido por outras lojas famosas.

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Upper East Side

Na viragem do século XX, a alta sociedade de NY deixou o centro de Manhattan e mudou-se mais para norte: para o Upper East Side, onde permanece até hoje. Muitos dos museus de NY encontram-se concentrados nesta parte da cidade, o que originou a designação Museum Mile, um grupo de ruas que passou a chamar-se milha dos museus.

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Upper West Side

Esta zona tornou-se residencial por volta de 1870, altura em que os comboios elevados possibilitaram ligar o Upper West Side ao centro da cidade. Em 1884, com a construção do Dakota, o primeiro prédio de apartamentos de luxo de NY, as ruas foram classificadas e niveladas. Nesta zona existem ainda muitas instituições culturais, de que se destacam o Lincoln Center e o complexo Columbus Circle da Time Warner e da CNN.

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Parques / Jardins
Central Park

Criado em 1858 por Frederick Law Olmsted e Calvert Vaux, o Central Park foi implantado numa zona anteriormente degradada da cidade, onde coexistiam pedreiras, fazendas de porcos, pântanos e barracas. Dez milhões de carroças transformaram esta montureira em 340 hectares de espaços verdes, abrangendo colinas, lagos e prados pontilhados pelos afloramentos rochosos de Manhattan. Proporcionando um agradável cenário de lazer, o Central Park inclui parques infantis, ringues de patinagem, campos de jogos, entre outros espaços totalmente orientados para o bem-estar. Aos fins-de-semana, é vedado ao trânsito, dando lugar a ciclistas, patinadores e corredores. Destacam-se no Central Park:

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Bowling Green

Localizado em Lower Manhattan, este é o parque mais antigo da cidade. Foi inicialmente criado para ser mercado de gado e, mais tarde, foi adaptado para dar lugar a um terreno de jogos. Aqui começa a Broadway, que atravessa toda a Manhattan seguindo em direção ao norte até à capital estadual, Albany.

Battery Park

O parque, cujo nome deriva dos canhões que protegiam a baía, é um dos melhores pontos da cidade para admirar o mar. É possível contemplar, no Battery Park, uma série de estátuas e monumentos, nomeadamente The Sphere de Fritz Koenig, uma escultura que outrora se encontrava no World Trade Center e que hoje está aqui em memória dos que morreram no ataque do 11 de setembro de 2001.

 
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Um guia para visitar Nova Iorque


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