Dois corpos arquitetónicos unidos: a torre alta, de feição medieval; e o baluarte, um dispositivo militar moderno. Incorpora salas de observação do Tejo e defesa do território, com arcos perfeitos. Permite ver sem que se seja visto. É um lugar monumental definido a dedo, edificado entre 1514 e 1519.  Testemunho do que (ainda) somos e do que (ainda) somos capazes. De falar ao mundo. Badalar. Património da Unesco. Obrigatória. Magnífica.

Na fila proeminente para a entrada, debaixo de um sol exaustivo, mas pulverizado com vento fresco, esperei a minha vez. Alternando a atenção entre o Mosteiro dos Jerónimos e o CCB, do outro lado; o Padrão dos Descobrimentos, no seguimento; e a Fundação Champalimaud, atrás. Atraída, ainda, pela diversidade de pessoas na fila ordeira.

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Chegada a minha vez, impôs-se a notícia verbalizada pelo segurança de que não havia mais bilhetes. Tinham passado uns bons 40 minutos de espera. Apresentei o meu melhor jeito desiludido, eficaz e determinante. Aproximou-se um polícia, que me ajudou a comprar o bilhete online. Com a ajuda também indispensável do mesmo segurança que informou sobre a impossibilidade de entrar. No final, ambos foram decisivos para a minha entrada. E entrei.

A obra do reinado de D. Manuel I, projetada pelo experiente arquiteto Francisco de Arruda, cheira hoje a tempo e ao Tejo. Imponente. Portentosa. Deslumbrante. Depois de uma visita rápida ao baluarte, posicionei-me para subir na torre alta, com 35 metros de altura. E segui, passo a passo, as escadas estreitas em caracol que elevam até ao topo. Com paragens na Sala do Governador, na Sala das Audiências e na Capela, lacónicas, mas altivas.

Este monumento, considerado a primeira fortificação portuguesa com dois pisos de posições de tiros, instaurou uma mudança de paradigma na arquitetura militar. E é elemento fundamental da paisagem de Belém e dos roteiros de quem visita o país, venha de onde vier. E dali vemos o mundo.

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