Por ocasião dos 2500 dias da fundação por Francisco Jaime Quesado do Sharing Knowledge – rede colaborativa vocacionada para reforçar ligações a partir da partilha do conhecimento, o fundador brinda-nos com este ensaio de celebração e um novo sentido de ambição estratégica. «Todos os que fazem parte e dão sentido a este Espírito SK têm a confiança clara de que só com uma verdadeira partilha em comunidade se consegue fazer com que a nossa sociedade evolua», diz-nos Quesado no seu ensaio. Referimo-nos a um homem, Quesado, desconcertantemente movido pelo futuro. Porque, afinal, o futuro, para o citar, é «para onde temos que conseguir ir». E fomos. E vamos.
Neste ensaio comemorativo dos 2500 dias do Sharing Knowledge – que é como quem diz: 6 anos e 10 meses, 357 semanas + 1 dia, 60 mil horas ou 3.600.000 minutos – são pilares estruturais e estruturantes o encontro, a partilha e a discussão. O ensaio sintetiza esse espírito erguido sobre um triângulo virtuoso em que o encontro cria laços e pertença, a partilha multiplica horizontes e a discussão corajosa, mesmo ou sobretudo porque a contraciclo, desafia o conformismo para antecipar o futuro. Ao assinalarmos juntos este marco, homenageamos o impulso fundador e renovamos o compromisso de continuar a pensar, dialogar e construir o amanhã em rede.
Sobre o Encontro
Descreveria a arte do encontro como a capacidade de estar verdadeiramente presente diante do outro. Escutar sem preparar imediatamente uma resposta, reconhecer sem tentar possuir, aproximar sem apagar as diferenças. Envolve curiosidade, cuidado, disponibilidade e também a coragem de deixar que o outro nos transforme um pouco. Um encontro verdadeiro acontece quando as pessoas não se limitam a trocar palavras, mas criam um espaço comum, feito de atenção, respeito e presença, onde algo novo, maior do que as partes, pode nascer. Em suma, é saber chegar ao outro sem deixar de ser quem somos, e permitir que o outro também permaneça livre. É desta massa que se tem feito o encontro no Sharing Knowledge. Citando o empresário José Roquette, «este é o tempo em que temos que voltar a saber estar juntos e construir em conjunto soluções para os muitos desafios que temos pela frente».
Sobre a Partilha
Na mesma linha, descreveria o sentido de partilha não como o simples ato de dividir o que sobra, mas como a coragem de tornar comum aquilo que nos constitui. Partilhar verdadeiramente não empobrece quem dá nem coloca quem recebe numa posição de dívida. É um movimento de abertura em que tempo, silêncio, ideias, dores e entusiasmos deixam de ser ilhas isoladas para se tornarem pontes. Ao contrário da posse, que se esgota no uso, a partilha tem uma lógica própria de multiplicação: uma alegria partilhada ganha eco e um fardo partilhado torna-se suportável. No fundo, se o encontro é a descoberta de um espaço comum, a partilha é a decisão generosa de o habitar juntos, sem pretensões de controlo, aceitando que aquilo que oferecemos ao outro ganha vida própria e nos devolve um sentido mais fundo de pertença ao mundo. «O ato de partilhar encerra, nas palavras do Papa Francisco, “um sentido de entrega ao outro e o desejo de poder também construir”. Quando na nossa comunidade SK cada um e todos partilham uma ideia ou um texto estão precisamente a participar nesse ato de construção coletiva que permite avançar no tempo e conquistar novas batalhas».
Sobre a Discussão
Descreveria o sentido da discussão, para chegar ao terceiro pilar, como a procura partilhada de uma compreensão mais ampla: não a luta para impor uma voz, mas a disponibilidade para colocar ideias em movimento. Discutir, no seu sentido mais nobre, é aceitar que nenhum pensamento se basta inteiramente a si próprio. É expor uma convicção à presença do outro, permitir que seja questionada, aprofundada ou até transformada. Requer firmeza para defender o que julgamos verdadeiro, mas também humildade para reconhecer que podemos não ter visto tudo. Quando é conduzida com respeito, a discussão não separa necessariamente: pode ser uma forma exigente de encontro. As diferenças deixam de ser muros e tornam-se matéria de construção; o desacordo, em vez de nos afastar, pode revelar novas possibilidades de entendimento. No fundo, discutir é pensar com o outro, mesmo quando pensamos de modo diferente, procurando não vencer a conversa, mas sair dela com uma visão mais lúcida, mais livre e mais humana. «Quando iniciámos a nossa Agenda SK, muito centrada na matriz da partilha e também do encontro, desde logo ficou claro que a aposta na discussão seria a chave da mobilização da comunidade para um sentido de pertença com propósito», recorda-nos Quesado.
Para a reflexão alargada e mais ampla sobre o ensaio, Quesado desafiou-me a moderar um painel com três ilustres juristas de diferentes gerações e percursos complementares: Ana Pedrosa Augusto (com perfil ligado à advocacia, intervenção pública e liderança associativa/social), Andreza Caldeira (jovem advogada, investigadora e cronista atenta aos desafios da nova geração e ao impacto social) e Paulo Sande (com a sua vasta experiência em assuntos europeus, ciências políticas e reflexão institucional).
As intervenções de Ana Pedrosa Augusto, Andreza Caldeira e Paulo Sande demonstraram com clareza e rasgo que, num tempo de aceleração tecnológica e de profunda transformação social, o pensamento crítico continua a ter uma missão insubstituível: salvaguardar a condição humana, garantir a qualidade das instituições e alimentar um espaço público vivo, ético e verdadeiramente participado.
E o que Quesado aqui fez, promovendo este momento de encontro, partilha e discussão, foi exatamente a revalidação do espírito SK: cultivar o sentido do encontro para vencer o isolamento; a generosidade da partilha para multiplicar o talento; e a coragem da discussão para antecipar soluções. Porque, e sublinhámos isso, somos o que partilhamos. E isso muda tudo na nossa identidade individual e coletiva.
Obrigada Jaime, por nos ligar a todos em nome de uma ideia de ambição e, simultaneamente, de bondade (é aqui que faz a plena diferença).



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